Cabo Verde

NOTA:

Material elaborado pela REDEsida. Esta página continua disponivel para integrar as acções de atenção à SIDA, sob responsabilidade do Governo da República de Cabo Verde, mal recebamos o material pertinente. Pedimos, desde já, desculpa aos respectivos responsáveis e aos nossos parceiros, por qualquer informação incorrecta ou não actualizada.


DADOS GERAIS SOBRE O PAÍS

Cabo Verde é um arquipélago constituído por dez ilhas e oito ilhéus situados no Oceano Atlântico a 455 Km da Costa Oeste de África (Senegal), com uma superfície de 4.033Km2.

O conjunto da população está estimada em 434.625 habitantes (Censo de 2000), dos quais 51,6% são mulheres e 53,4% vivem nas cidades. É uma população jovem sendo que a faixa etária dos 10-24 anos representa cerca de 1/3 (um terço) da população. A cidade da Praia tem 95.000 habitantes (1998).O número médio dos agregados familiares é de 4,6 pessoas.

A densidade populacional é de 109 hab/Km2 com variações entre os 410 hab/Km2 no concelho da Praia e 6,8 na Boa Vista.

A taxa de crescimento populacional de 1990 para 2000 foi de 2,4%. É uma população de emigrantes, em que as religiões predominantes são a católica e a protestante.

A esperança de vida é de 71 anos (67 anos para os homens e 75 para as mulheres). A taxa de mortalidade é de 5,6 por 1.000 habitantes e a taxa de mortalidade infantil é de 23,1 por 1.000 nados vivos.

É uma população com elevada taxa de escolarização (91,9% entre os 6 e os 15 anos). A taxa de escolaridade é de 64% nas mulheres e 81% nos homens.

De acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano o país ascendeu do 105.º lugar entre 174 países (1999) para o 91.º lugar (2000) em virtude de indicadores sociais favoráveis. O rendimento per capita é de 1354 USD (2000), mas tal não reflecte a realidade. Na verdade, 30 % da população está abaixo do limiar da pobreza e 14 % vive em condições de extrema pobreza. O PIB é de 1201 milhões USD e o PIB/hab. é de 2990 USD. O PNB por volume é de 437 mil milhões USD e o PNB por habitante é de 1.060 USD. A dívida externa é de 220 milhões USD (1998) e a taxa de inflação é de 3 % (1998). O Censo de 2000 regista uma taxa líquida de actividade de 68,9%.

Fonte: http://africa.sapo.pt/11/223467.html

Contexto da epidemia de VIH/SIDA

O primeiro caso de VIH/SIDA em Cabo Verde foi notificado em 1986. O único inquérito nacional (1988) sobre a sero-prevalência cobriu 5,790 indivíduos entre os 15-55 anos e registou uma prevalência de 0,46%.

A vigilância epidemiológica efectuada nos postos sentinela até 1997 apontava, nesse ano, uma prevalência < 1,5% (Fonte: Relatório PNLS, 1998).

As estimativas apontam para a existência de 3,000 infectados entre os 15-55 anos, dos quais 67% entre os 30-49 anos e 20% entre os 25-29 anos.

Desde 1986 até 31 de Dezembro de 2000 foram notificados 775 portadores de VIH, dos quais 406 (52,4%) com SIDA e entre estes 205 óbitos. Estima-se que a taxa de incidência passou de 17,2 para 28,6 por 100.000 habitantes entre 1997 e 2000, enquanto que a taxa de prevalência cresceu de 19,67 para 35 por 100.000 em igual período.

A transmissão por via sexual, predominantemente heterossexual, é a maior via de infecção com mais de 90% dos casos, sendo a transmissão vertical significativa (4,6%). Entre as pessoas infectadas com VIH, 3,3% são toxicodependentes.

A prevalência de seropositivos entre os candidatos a doar sangue era de 0,5% em 1998 e de 1,2% em 2000.

A região de sotavento é a mais afectada pela infecção pelo VIH (81,1% dos casos), concentrando-se o maior número de casos nas ilhas de Santiago, Fogo e S. Vicente. Há um aumento progressivo de casos nas áreas rurais e entre os jovens e as mulheres.

A relação homem-mulher entre os VIH positivos é de 1,13, sendo o grupo etário mais afectado o dos 25-44 anos (62,8%). A SIDA é mais frequente (51%) no grupo etário dos 30-44 anos.

Tem-se registado um aumento progressivo da infecção pelo VIH1, a partir de 1996.

As infecções oportunistas mais frequentes são a tuberculose e outras doenças pulmonares, diarreia infecciosa crónica, candidíase oral e infecção herpética crónica.

As ISTs são um dos maiores problemas de saúde dos jovens. A abordagem destas patologias é sindrómica, se bem que em algumas situações seja possível o diagnóstico laboratorial.

O preservativo masculino é de distribuição gratuita mas apenas 28,5% da população sexualmente activa refere o seu uso.

São apontados como factores determinantes da evolução da epidemia o baixo nível sócio-económico e educacional da população, conflitos de valores que afectam o comportamento, diminuição do poder de controle do comportamento pelas pressão sociais, reduzidos conhecimentos sobre sexualidade, alta taxa de desemprego entre os jovens, elevado número de mães solteiras com crianças de diferentes parceiros, baixo estatuto social da mulher, mobilidade interna e externa, alcoolismo, práticas sexuais de alto risco (múltiplos parceiros com relações sexuais não protegidas), início precoce da actividade sexual (< 16 anos), aumento da toxicodependência, baixa percepção do VIH/SIDA, noções erradas sobre as ISTs, preparação inadequada dos pais para a orientação sexual dos filhos, baixo empenhamento político e consequente reduzida capacidade do País para lidar com a epidemia, turismo e proximidade com áreas de alta prevalência.

São definidos como grupos mais vulneráveis os indivíduos envolvidos que praticam a prostituição, os que têm "comportamentos promíscuos", os jovens de meio urbano, a população de baixo nível académico e sócio-económico, particularmente as mulheres, os migrantes e outros indivíduos com grande mobilidade, as crianças "na" e "da" rua, os consumidores de álcool e outras drogas, os reclusos, os profissionais de saúde em geral e as parteiras em particular.

O acesso ao diagnóstico e a tratamento das infecções oportunistas é baixo e há dificuldades em lidar com o atendimento a órfãos de pais infectados assim como crianças infectadas.

PROCESSO DE DEFINIÇÃO DA POLÍTICA DE ATENÇÃO AO VIH/SIDA

A organização do processo de definição da política de atenção à SIDA iniciou-se em 1988. Até há pouco tempo este processo estava sob a responsabilidade do Programa Nacional de Luta Contra a SIDA, Ministério da Saúde, que contava com poucos recursos. O reforço das capacidades deste Ministério foi considerado essencial para poder desempenhar as suas funções no âmbito da abordagem multi-sectoral que se está a iniciar actualmente com a definição do Plano Estratégico Nacional de Luta Contra a SIDA 2002-2006 (integrado neste Portal)

São consideradas prioridades para o Ministério da Saúde: 1) Produção de Antiretrovirais, 2) Reforço da Vigilância epidemiológica (último inquérito foi realizado em 1989 e os postos sentinela estão parados desde 1998), 3) Formação de formadores e 4) Criação de um Portal de acesso, via Internet, em língua portuguesa (não existia o Portal REDEsida) 5) Agir sobre a transmissão vertical e 6) Desenvolvimento de cuidados integrados.

ORGANIZAÇÕES QUE DESENVOLVEM TRABALHO NA ÁREA DA SIDA OU QUE APOIAM O MINISTÉRIO DA SAÚDE:

- REJOP – Rede de Jornalista para a População que poderá ser de grande apoio para a implementação de acções de I.E.C. Esta associação tem uma publicação “PA NÔS” , apoiada pela FNUAP, onde se abordam temáticas diversas, desde aspectos da saúde até às relações interpessoais nos jovens;

- CÁRITAS que desenvolve apoio domiciliário;



- CRUZ VERMELHA que trabalha na área da promoção da saúde.

- Centro de Despistagem Anónimo e Voluntário do Centro de Saúde da cidade da Praia onde se faz pré e pós aconselhamento e teste voluntário de VIH.

ENTIDADE: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

CONTACTO: Claudia Silva, Secretária de Estado do Ensino Secundário , Considera que é grande o desconhecimento que existe sobre a SIDA. Estão a iniciar a criação de Centros de Orientação nas Escolas apoiados pela GTZ(agencia da Cooperação alemã). Estes Centros serão polivalentes e prestarão apoio aos alunos no âmbito da orientação pessoal e profissional. Têm também contado com o apoio da FNUAP para o desenvolvimento da disciplina "Educação para a vida familiar” . Há dificuldades em contar com apoio de material didáctico e necessidade de formação de professores e de alunos. Consideram que a população no meio urbano está mais informada e tem maior acesso aos serviços públicos enquanto que no meio rural a situação é muito mais grave, dada a elevada taxa de abandono escolar após o ensino básico, a fragilidade das instituições e a elevada taxa de analfabetismo, sobretudo entre as mulheres.

 

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ACÇÕES:

(Nenhuma acção Disponível)

DOCUMENTOS:

Dados Epidemiológicos Sida do Ano 2001- Cabo Verde