Moçambique


SIDA-IMPERIALISMO

Leonor Martins

Julho 2004, Maputo, Moçambique - O regime de Bush escolheu Moçambique como um dos quinze países beneficiários do plano de emergência de AIDS de George Bush…sem avisar as autoridades locais e depois de ter tentado ganhar controlo do programa…intrusão, outra vez.

Quando um programa de saúde pode tornar-se num instrumento de intrusão…o quê é que se estava a esperar deste regime? Se bem que o dinheiro é bem-vindo, poderia ter sido atribuído de outra forma, mais democrática e menos “de cima para baixo”.

Frases como “queremos mexer rapidamente e sabemos que o seu governo não tem a capacidade” foram dados como desculpas para parar com as terapias com drogas genéricas retro-virais e iniciar terapias com drogas oriundas das companhias farmacêuticas norte-americanas, bastante mais caras.

Então, o programa de apoio de Bush, tão altruísta, tão humanitário, é afinal nada senão uma forma de destruir a política de vender drogas eficazes e com preços dentro do alcance da população local e instalar um programa que favorece os interesses do clique que gravita a volta de Washington.

Se Washington veio a Moçambique ajudar, muito bem e nós agradecemos. Mas Moçambique não pediu a George Bush instalar seu programa aqui, favorecendo seus farmacêuticos e beneficiando os peritos escolhidos pelos homens do Presidente em Washington, para servirmos de cobaia.

Afinal, o Ministério da Saúde de Moçambique confrontou Washington com estas preocupações e ganhou, esforçando Washington a recuar e investir os seus ganhos em laboratórios e centros de transfusão de sangue.

Mas será necessário termos de encarar as iniciativas de apoio de Washington sempre com pé atrás? Por quê é que não podem simples ajudar pelo prazer de ajudar?

Moçambique mostrou que, quem bate o pé a Washington, que já está tão fragilizado na comunidade internacional, devido às suas acções nada populares, provoca a reacção civilizada que era de esperar desde o início.


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