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 Guiné Bissau
ONG portuguesa abre centro de detecção de HIV/sida na Guiné
Diário de Notícias 03/09/2007, Guiné Bissau - Na Guiné-Bissau não há números certos nem números aproximados, apenas a certeza de que os infectados com HIV/sida "são muitos". Num país onde os comportamentos sexuais são os grandes aliados da doença, "muita gente continua a dizer que a sida não existe" e a não querer saber se o vírus circula pelo seu corpo. Fazer o teste pode ter um resultado, a "rejeição, mesmo na própria casa" e "ser-se apontado na rua". Literalmente. Na Guiné, há muito a fazer para travar a doença e a Inde, uma organização não governamental portuguesa, prepara-se para entrar neste combate abrindo um Centro de Aconselhamento e Detecção (CAD), à semelhança dos que existem em Portugal. O alvo principal são as adolescentes, a partir dos 14 anos, no início da vida sexual.
O projecto vai ser liderado por Adamou Djibo, um médico guineense que há anos trabalha com infectados. "A luta contra a sida na Guiné é uma luta muito difícil. Com todas as dificuldades que temos, o que tentamos é fazer tudo o que é possível, não digo para erradicar, mas para tentar diminuir esta epidemia. É um problema sério, mas se avançasse com qualquer percentagem de infectados estaria a mentir. Não há números credíveis". O médico esteve em Portugal a visitar organizações que trabalham nesta área para aplicar no seu país, mas diz que não trata apenas o HIV/sida. Actualmente trabalha no centro de saúde de Belém, na capital do País. É o único médico. Casos de HIV, "são muitos", principalmente nos jovens. "Na Guiné não somos só médicos, somos médicos, psicólogos, somos tudo". E o grande desafio começa logo no momento em que têm que convencer as pessoas a fazerem o teste. "Há utentes que chegam e têm todos os sintomas da doença. Mas antes de fazer teste tenho que falar, dizer qual a análise que vou fazer. se aceitarem faço, se não aceitarem... não posso obrigar." Mesmo quando uma pessoa morre com a doença, a causa é escondida para salvaguardar a família. Num país onde em algumas etnias as mulheres só podem ir ao médico acompanhadas pelos maridos ou se o profissional for mulher, Adamou Djibo não hesita quando aponta o grande entrave ao seu trabalho. "O problema energético que se arrasta há anos. Não temos luz".
Elsa Santiago, a responsável pelos projectos da Inde na Guiné, refere que o financiamento para o CAD ronda os 80/90 mil euros ano, parte dele com fundos internacionais. A ONG já trabalha em Bissau junto de crianças-trabalhadoras e faz apoio domiciliário a doentes infectados com HIV. Mais de metade não "revela a absolutamente ninguém que tem a doença. Nem à família".
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