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 São Tomé e Principe
Poligamia, promiscuidade e machismo
Plusnews 10 de Novembro 2006, São Tomé, São Tomé e Principe - Profissionais de saúde de São Tomé estão preocupados com certos comportamentos sexuais dos habitantes do arquipélago, o que, segundo eles, pode disseminar a Sida.
“Ele teve três esposas. Eu acho que os seus três outros filhos que nasceram no mesmo ano que o meu também são seropositivos”, conta Paula (nome fictício).
Esta são-tomense, que sabia que o seu marido tinha outras parceiras, ficou grávida e descobriu depois de dar à luz que ela e o seu filho estavam infectados pelo HIV.
“A poligamia é quase oficial. É normal e aceitável que um homem tenha três esposas”, afirma ao PlusNews a médica e coordenadora do Programa Nacional de Combate à Sida, Alzira do Rosario.
Com aproximadamente 160 mil habitantes, São Tomé e Príncipe tem uma taxa de seroprevalência de 1.5 por cento, segundo estatísticas do governo.
A coordenadora da organização não governamental Médicos do Mundo, Manuela Castro, ressalta que algumas tradições sexuais aumentam a vulnerabilidade ao HIV no país.
“Existe a idéia de que para ser homem é preciso ter muitas mulheres”, exemplifica.
Quase a metade dos jovens e adolescentes começam a vida sexual entre 11 e 15 anos, segundo um estudo de conhecimentos, atitudes e práticas (CAP) sobre a saúde sexual e reprodutiva, citado no Plano Estratégico Nacional de Luta contra o HIV/Sida (2004-2008).
“Um jovem que completa 20 anos sem ter se casado é considerado inferior. Não é um homem de verdade”, conta Castro. “E os casados podem ter muitas parceiras”, acrescenta.
A ponta do iceberg
Mas começar a actividade sexual muito jovem e ter muitos parceiros sexuais é só a ponta do iceberg em termos dos riscos que isso representa para a saúde dos são-tomenses.
O estudo CAP revela que o fraco poder das mulheres em exigir o uso do preservativo com os seus parceiros aumenta o risco de infecção.
“Ainda existem muitos tabus, o que é um grande problema”, diz Do Rosário.
“As pessoas sabem que a única maneira de prevenir a transmissão é usar preservativos. Mas fazer com que as pessoas mudem de comportamento é um grande desafio para nós, ainda vai levar muito tempo”, acrescenta.
Por causa do grande estigma associado ao HIV e ao facto de se viver com o vírus, o sexo seguro e o HIV ainda são temas delicados nas conversas.
“Eu não quero ter um namorado. É melhor assim”, diz Paula, que usou camisinhas com o seu ex-namorado até que ele ouviu boatos de que ela era seropositiva e eles se separaram.
“Ele vai acabar querendo ter sexo sem preservativos, ele vai querer ter filhos”, completa ela.
Noventa e cinco cento dos São Tomenses sabem como o HIV é transmitido e, apesar das numerosas campanhas educativas, a mudança de comportamento demora em chegar, afirma o responsável de projectos de saúde do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Luis Bonfim, citando um estudo do governo.
“O sexo é uma actividade que dá prazer às pessoas, então elas ignoram os riscos que estão correndo quando praticam um acto sexual”, diz Bonfim ao PlusNews.
“Em muitos casos, é só depois de ter tido uma relação sexual que eles se lembram das conseqüências de seus actos”, finaliza.
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