Cabo Verde


CABO VERDE: Bebés saudáveis, mães felizes sem HIV

PlusNews

2007-06-15, Cabo Verde - PRAIA, 15 Junho 2007 (PlusNews) - Natália Pereira têm 22 anos e está a poucos meses de ter o primeiro filho.

Esta jovem cabo verdiana, vendedora de mercado, nunca tinha feito um teste de despistagem do HIV. Mas quando soube da sua gravidez, dirigiu-se à Delegacia de Saúde na capital Praia, onde lhe explicaram a importância do teste, e concordou em fazê-lo.

“Estava com medo, mas a médica disse que mesmo que eu fosse seropositiva havia forma de evitar passar a doença para o bebé. Então eu concordei fazer, por ser melhor para a criança”, disse.

“Não foi a primeira vez que ouvi falar no teste. Tem uma organização de mulheres que vai lá no meu bairro falar sobre a Sida e elas já tinham explicado, daí eu já sabia do teste e do tratamento”, contou Pereira.

Pereira é excepção em Cabo Verde. Segundo o Inquérito de Vigilância Comportamental a Vendedoras nos Mercados e Forças em Uniforme de 2004, uma em cada quatro vendedoras consideram que uma grávida seropositiva nada pode fazer para impedir seu bebé de contrair o HIV e cerca de um terço desconhece o que pode ser feito.

Das que consideram ser possível fazer algo, as respostas predominantes na pesquisa foram: ir ao médico (22,5 por cento), tomar medicação genérica (14 por cento), não amamentar (11 por cento) e medicar-se contra a Sida (8 por cento). Embora pouco significativo, 4 por cento considera que se pode fazer uma cesariana ou um aborto. Os antiretrovirais são referidos por 2,2 por cento das vendedoras.

Sensibilização é chave

Cabo Verde já atingiu este objectivo definido no plano estratégico de 2006-2010: a percentagem de mulheres grávidas que se beneficiaram de um aconselhamento e despistagem do HIV nos meios urbano e rural aumentou de 13 para 80 por cento.

“Há cerca 3 anos tínhamos uma média de 2 a 3 mil testes anuais. Segundo os últimos dados de 2006, já ultrapassamos os 13 mil, 50 por cento dos quais realizados em grávidas”, disse Artur Correia da Comissão Nacional de Combate à Sida (CCS - Cabo Verde)

A prevenção vertical ainda é um processo jovem em Cabo Verde, mas mais de 50 por cento das grávidas já têm acesso a tratamento contra Sida e mais de 80 por cento das seropositivas conseguem tratamento para prevenção da transmissão vertical.

Cabo Verde iniciou em 2005 a introdução de antiretrovirais para o tratamento dos doentes com o apoio da iniciativa Laços Sul-Sul. O Brasil doa os antiretrovirais pediátricos e kits de teste para grávidas e a UNICEF garante o transporte desse material.

“Temos obrigação de diminuir o número de nascimentos de crianças seropositivas. Isso é inadmissível considerando os instrumentos disponíveis hoje”, refere Correia.

Segundo Correia, a sensibilização das mulheres grávidas e mães também passa pelo trabalho das organizações não-governamentais.

A ONG Organização de Mulheres de Cabo Verde (OMCV) desempenha esse papel há 26 anos. Apesar dos financiamentos escassos, as dirigentes Maria do Carmo Semedo e Ângela Cardoso vão os bairros mais pobres de Santiago nos fins-de-semana para fazer prevenção junto à população feminina mais fragilizada.

“Ao invés de falarmos, levamos batucareiras que dançam, cantam e passam as mensagens sobre a prevenção, aconselhamento e uso do preservativo”, conta Semedo. “Foi uma forma muito linda que achamos de trabalhar.”

Cardoso às vezes apela para o choque como forma de conscientização. Há pouco tempo, quando ouviu algumas mulheres dizerem que não acreditavam na Sida, passou um filme feito num centro de acolhimento no Quénia, com imagens de pacientes terminais.

“Pusemos a televisão na beira da estrada com o filme, as pessoas paravam para olhar e depois perguntavam o que tinham aquelas pessoas”, conta. “As cassetes são em francês, elas não entendem a língua, mas as imagens bastam”, conclui Cardoso.

Protegendo as crianças

A sensibilização das mulheres é importante porque, conforme explica a médica da Delegacia de Saúde da Praia e Coordenadora do Pólo do Sotavento Elsa Almeida, o teste tem de ser sempre autorizado pela paciente.

Assim, é feita uma apresentação do teste e um aconselhamento pré e pós teste. “Nesta fase a mulher deve ficar preparada para receber um resultado positivo”, diz Almeida.

Se o resultado for negativo, o pós-teste dará recomendações sobre prevenção. Mesmo assim, é recomendado um novo teste no último trimestre de gravidez. Se for positivo, a profilaxia tem início imediato. Se a grávida já faz tratamento ARV, ele é adaptado à gravidez.

“Um dos problemas é o facto de muitas vezes a grávida ser captada muito tarde”, diz Almeida. “Mas não importa o estágio da gravidez, sempre iniciamos o tratamento de prevenção da transmissão vertical.”

Como não há meios de avaliação da carga viral, o parto – um dos momentos de maior risco de transmissão – é substituído pela cesariana. A mulher recebe instruções sobre a importância de não amamentar e os serviços sociais se encarregam de fornecer o leite para o bebé.

Segundo um representante do governo, Cabo Verde está muito próximo de garantir anti-retrovirais para todas as crianças e gestantes seropositivas. Com cerca de 500 mil habitantes, o país mantém a seroprevalência de 0,8 por cento.

O país foi citado no relatório Crianças e Sida, publicado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência no início desse ano, como o terceiro país em África subsaariana com melhor cobertura de tratamento ARV para as crianças, ficando atrás apenas de Botswana e Namíbia.


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