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 Cabo Verde
No Jogo de Esconde - Esconde com a SIDA
José Teixeira Novembro 2002, enviado por Jaqueline Pereira, Cabo Verde - Parceiro fixo, fidelidade, prudência, preservativo, prevenção, etc. são conceitos constrangedores. Parece até perigoso ou mesmo contagioso ouvir algo acerca disso! Assim como o trabalhador da construção, que dispensa o capacete e o cinto de segurança porque estes lhe lembram a possibilidade de a pedra vir a cair-lhe em cima ou dele mesmo cair do andaime, ou ainda de não ser muito macho, muita gente prefere sair sem arrastar o pé quando se fala sobre a SIDA; parece não querer pensar que a sua saúde não é de ferro - como sempre foi; não quer saber e não quer que os outros saibam que é mesmo um fraco, que se esquece da vida, perante um rabo di saia ou um porte atlético. Pior seria admitir que é um candidato ao exército sidótico em cada risco a que se expõe.
Evitar relações ocasionais, colocar o preservativo no momento exacto e de forma correcta então, já não servem mais como armas! Não há mais tempo a perder em melhor se equipar ouvindo ou participando nesses dizeres.
Enquanto isso a SIDA vai construindo o seu império, vai recrutando crianças, adolescentes, jovens e adultos para a sua tropa. Pena é que as pessoas abrem mão de si mesmas para se alistarem e, entretanto, a SIDA não mais abre mão delas, a não ser para fazê-las recrutar novos membros para a sua patrulha. Ah! Assim ela lhes deixa sensibilizar tranquilamente! Tão estratégica e macabra, e todos sabem-no: que faz do amor a sua trincheira, do sexo o seu escudo e do próximo a sua cara; ainda que indefinida.
Acredite!
Quando alguém pega o megafone a falar do HIV e SIDA, evita-se. Entretanto, o racional enche a boca e diz que sabe o que faz, que faz o que quer e quer o melhor, mas, dá uma de avestruz - deixando que a SIDA, um estranho soldado universal, seja mais eficaz e estratégica do que ele - arrombando-lhe a porta, invadindo-lhe a casa e deixando-lhe a família ao relento.
Como diz A. Aleixo, "ninguém traz na testa o selo de quanto vale", e, por isso, não se pode esquecer que um olho de amêndoa, uma cara de anjo, um corpo limpo podem fazer o coração chorar, por causa daquilo que os olhos não viram " e não vêm mesmo!
A não ser que o Parlamento aprove a obrigatoriedade de pessoas portarem-se dos respectivos manuais, devendo apresentá-los sempre, antes de mais nada, deve-se estar sempre alerta, como um bom escuteiro: para analisar primeiro com a cabeça fria, isto é, com "ela" no lugar, e só depois com o tronco e os membros. Porque enquanto as pessoas se escondem de costas voltadas para a porta aberta, o HIV, sempre escondido, só dá a cara quando é p’ra valer. Portanto, o respeito, a responsabilidade, o amor próprio sem complexos, juntos para a prevenção, apoiados pela camisinha e coisa e tal, precisam ser tomados como a principal muralha; porque Nha Mita Pereira, mulher formada em Escola da Vida, que Deus a tenha na sua Glória, um dia disse numa das suas Finaçon que se pegasse a mãe de "si nsabêba" a mataria, porque esta chega sempre atrasada; isto é, só quando não há mais possibilidade de se corrigir.
Que pena!
ARTIGO ENVIADO POR: Jaqueline Pereira, AUTOR: José Teixeira, psicólogo de formação, e Director do CNDS/Centro Nacional de Desenvolvimento Sanitário estrutura do Ministério da Saúde voltada para a produção de materiais de I.E.C. Contacto: zeteixeira@hotmail.com
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