Ativista cobra mais linhas de pesquisa e desenvolvimento de remédios em seminário de políticas internacionais sobre hiv/aids

Rodrigo Vasconcellos

10 de Fevereiro 2007, Brasil - “Um dúvida que sempre tive e quase não conheço ações nesse assunto, será que existe interesse em linhas de pesquisas contra os efeitos dos anti-retrovirais em pessoas com HIV/Aids e também de novos medicamentos?”, questionou o ativista Beto Volpe, presidente do Grupo Hipupiara, durante a tarde deste sábado no Seminário de Políticas Internacionais sobre HIV/Aids em São Paulo. Representantes da Farmanguinhos e do Programa Nacional de DST/Aids afirmaram que o interesse existe, mas que o caminho é lento porque o governo anterior, FHC, não tinha política industrial na área farmacêutica.

“Interesse existe, mas quem é de governo sabe que não é fácil. A gestão anterior tinha uma política neoliberal de que o mercado poderia regular tudo, até mesmo as pesquisas. Já nesta administração houve a implantação de uma política industrial [para desenvolvimento em fármacos]”, disse Lélio Maçaira , presidente da Genvida - Química e Farmacêutica.

De acordo com ele, a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) irá investir 10 milhões de reais para a produção do AZT (zidovudina) nacional em uma cadeia de processos que terão origem na glicose do açúcar. “É um nova rota de síntese [do remédio] e demonstra interesse do governo, caso contrário, não haveria um investimento desse porte em algo que pode ter origem da cana de açúcar”, acrescentou Maçaira.

O engenheiro químico também fez um “pacto” com Beto Volpe. Ele afirmou que irá produzir um princípio ativo de um remédio patenteado e entregá-lo para um laboratório estatal, como forma de provar ao ativista que existe capacidade brasileira em produção. Em troca, Volpe terá que pedir a licença compulsória do governo em protestos nas ruas, totalmente nu.

Já Orival Silveira, Chefe da Unidade de Tratamento e Assistência do Programa Nacional de DST/Aids, disse que o PN pode receber, no fim de 2007, um novo financiamento do Banco Mundial de cerca de 150 milhões de reais, e que parte pode vir a ser destinada a novas pesquisas.

O representante do órgão do Ministério da Saúde aproveitou a ocasião para divulgar que qualquer pessoa pode fazer queixas sobre efeitos adversos de medicamentos e ajudar o governo a ter um mapeamento maior sobre assunto no País, por meio do site da Anvisa (clique aqui).

Os participantes também tiraram dúvidas sobre termos técnicos e relembraram do tema do abacavir. Beloqui criticou o movimento social e o governo por serem complacentes com a fabricante do fármaco, a Glaxo-Smith-Kline.

João Batista, da Farmanguinhos, disse que empresa tem interesse em investir em ARVs porque eles podem representar uma importante fonte de renda para a estatal.


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